Domingo, 30 de Abril de 2006

LA LUNA

Hoje é dia de falar sobre assuntos tabu e deveras escandalosos. Não, não vou falar sobre a vida sexual do nosso Presidente da República, nem tão pouco da conquista do campeonato pelo F.C. do Porto, mas tão-somente de um magnífico filme datado de mil novecentos e setenta e nove DC. La Luna, assim se chama este filme escabroso realizado por Bernardo Bertolucci que conta com as excelentes interpretações de Jill Clayburgh e Matthew Barry nos papéis principais. Resumindo a história, Jill Clayburgh interpreta uma diva da ópera, Caterina Silveri, que parte em digressão para Itália com o seu filho adolescente Joe, interpretado por Matthew Barry, após a morte do pai deste e também seu falecido marido. Que descanse em paz e que não ande por aí armado em zombie porque para isso já nos basta o Michael Jackson. Ora, enquanto ela ensaia uma ópera de Verdi, e para quem não sabe o que são óperas, trata-se apenas de uma grande gritaria pegada, o seu filho resolve começar a fazer disparates. Já se sabe como são os adolescentes, assim que aparecem as primeiras borbulhas começam logo a desatinar, e vai daí o rapaz decide enveredar pelos rudes caminhos da droga. Para que conste, são aqueles produtos que se vendem nas farmácias ou porventura em certos bairros degradados, com ou sem receita médica. O chavalo não faz por menos e inicia-se nas drogas duras, até que encontra a sua heroína. A sua mãe, após descobrir o que o seu rico filhinho anda a fazer, tenta demovê-lo embora sem sucesso. Então, e sem outra alternativa plausível, decide fechar o moço em casa e privá-lo das más companhias, e é nessa espécie de tratamento que surge um denso conflito entre ambos. Além dos habituais achaques do puto, este começa a desenvolver um complexo de Édipo, que foi familiarizado por Freud quando este declarou nas suas teses amalucadas que tinha vontade de ser promíscuo com a sua mamã. Sendo que Jill estava disposta a fazer tudo para livrar Joe da maldita heroína, começa a ceder ás chantagens libidinosas do seu filho, agora sexualmente carente, e ressacado por um chuto no cavalo. Tudo isto origina uma das cenas mais escandalosas que o cinema nos proporcionou, em que somos deparados com uma das mais invulgares relações entre mãe e filho. De notar que Bernardo Bertolucci não nos apresenta uma cena de incesto banal como seria de prever, pois este realizador consegue transformar este momento incómodo (para algumas pessoas) num belo episódio dramático. Sem qualquer pretensiosismo, o realizador tenta mostrar-nos até onde pode chegar o desespero de uma mãe que tenta aliviar o sofrimento do seu filho. Sim, aliviar neste caso faz todo o sentido, mas só vendo este filme é que percebemos que este acto incestuoso não se trata de lasciva gratuita, bem pelo contrário. Ao som das operetas de Verdi, todo este drama intenso faz todo o sentido, pois tal como as suas partituras musicais, este filme retrata a vida quando se está à beira do abismo. Mais do que um filme devasso, como à partida parece ser, é um filme que nos conta uma história de amor, e de dor, entre uma progenitora que tenta salvar a sua cria por todos os meios, custe o que custar. Com interpretações brilhantes e uma realização soberba, os diálogos são emotivos e tudo isto sob a batuta de Ennio Morricone e trechos de Giuseppe Verdi. Essencial: La Luna, de Bernardo Bertolucci. Obrigado.

 

 

chavascado por suinoecultura às 00:00

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9 comentários:
De FERREIRA a 3 de Maio de 2006 às 15:18
CÁ ESTÁ UM TEMA, QUE POUCO SE FALA
MAS É MAIS COMUM DO QUE SE JULGA.
JÁ VI EM TEMPOS UM COMENTARIO TELEVISO QUE VERSAVA ESTE ASSUNTO
E FIQUEI PERPLEXO POR HAVER IMENSOS CASOS DESTES.

GOSTAVA DE VER O FILME, POIS DEVE SER BOM.

OS SENTIMENTOS HUMANOS NÃO TÊM LIMITE.

LEMBRO-ME EMBORA NÃO TENHA NADA A VER COM ESTE TEMA, AQUELE CASO DE CANIBALISMO DAQUELE AVIÃO QUE CAIU....SIMPLESMENTE SÃO EXTREMOS DO SER HUMANO

UM ABRAÇO

"SEM PALAVRAS "
http://latf.blogs.sapo.pt
De FERREIRA a 3 de Maio de 2006 às 15:20
CÁ ESTÁ UM TEMA, QUE POUCO SE FALA
MAS É MAIS COMUM DO QUE SE JULGA.
JÁ VI EM TEMPOS UM COMENTARIO TELEVISO QUE VERSAVA ESTE ASSUNTO
E FIQUEI PERPLEXO POR HAVER IMENSOS CASOS DESTES.

GOSTAVA DE VER O FILME, POIS DEVE SER BOM.

OS SENTIMENTOS HUMANOS NÃO TÊM LIMITE.

LEMBRO-ME EMBORA NÃO TENHA NADA A VER COM ESTE TEMA, AQUELE CASO DE CANIBALISMO DAQUELE AVIÃO QUE CAIU....SIMPLESMENTE SÃO EXTREMOS DO SER HUMANO

UM ABRAÇO

"SEM PALAVRAS "
http://latf.blogs.sapo.pt
De Insolente a 4 de Maio de 2006 às 00:47
é so pa deixar bem claro à malta que oprazerdainsolencia nao morreu, tem contudo uma comixao ao nivel do mindinho do pe esquerdo mas morrer nao morreu... pronto sem mais assunto, ora entao um grande bem haja
De misslust a 12 de Maio de 2006 às 14:16
A vida sempre com surpresas! E esta foi muito agradavel lolo um optimo fds para ti
De clique aqui para visitar o meu forum a 13 de Maio de 2006 às 01:44
Muito bem.
Nunca fui apreciador de cinema. Porém o resumo da história está excelente.
O que me parece é que esse era mais uma história choque .
No ocidente uma das formas de ganhar notoriedade era fazer historias choque.

Saló foi outro filme do mesmo tipo.


http://www.imdb.com/title/tt0073650/

(Ambos os realizadores são italianos).

Foi uma moda

Hoje sopram outros ventos.


Quando um realizador holandes estendeu a irreverencia ao islão ..,pagou essa ousadia com a vida.


Working from a script written by Ayaan Hirsi Ali, van Gogh created the 10-minute movie Submission. The movie deals with the topic of violence against women in Islamic societies; telling the stories of four abused Muslim women. The title itself, "Submission", is the translation of the word "Islam" in English. In the film, the women's naked bodies are veiled with semi-transparent shrouds as they kneel in prayer, telling their stories as if they are speaking to Allah. Qur'anic verses unfavourable to women are painted on their bodies in Arabic. After the movie was released in 2004, both van Gogh and Hirsi Ali received death threats. Van Gogh did not take these very seriously and refused any protection - reportedly telling Hirsi Ali: "Who would want to kill the village idiot?"
[edit]

Van Gogh's murder

Mohammed Bouyeri murdered van Gogh in the early morning of Tuesday November 2, 2004, in Amsterdam in front of the Amsterdam East borough office (stadsdeelkantoor) on the corner of the Linnaeusstraat and Tweede Oosterparkstraat streets. He shot him with eight bullets from a HS2000 (a handgun produced in 2000 in Croatia), and Van Gogh died on the spot. Bouyeri slit van Gogh's throat and then stabbed him in the chest. Two knives were left implanted in his torso, one pinning a five-page note to his body. The note (Text) threatened Western governments, Jews and Hirsi Ali (who went into hiding). The note also contains references to the ideologies of the Egyptian organization Takfir wal-Hijra.

De Art Of Love a 17 de Maio de 2006 às 00:54
Não conheço o filme, por isso nunca o vi, mas pelo que dizes parece ser interessante.
Mas sinceramente estava mais à espera de ler qualquer coisa aqui sobre a dobradinha do F.C.P...
De luar a 22 de Maio de 2006 às 15:05
Eu ia jurar que vi o filme... mas como o PDI me atacou com força já não posso garantir, tou toda baralhada. O BB que me perdoe pois lá fã dele eu era..sou, bolas quem morreu foi ele não eu... É o que eu digo, já me troco toda. Vou tomar as gotas e volto mais tarde!!! Oick oicksss para ti
De luar a 22 de Maio de 2006 às 15:06
Hehehehehe ainda não tinha visto estas "coisas"!!!!!!
De aumento seios a 29 de Outubro de 2008 às 15:10
O filme não é chocante nem nada, é bem poético, fiquei com ele na cabeça por um bom tempo, a relação mostra sempre o que a força de uma mãe pode fazer por um filho. Não sei, mas acho que deve ser algo um tanto biográfico (não a história toda, mas a idéia do incesto, pq o Bertolucci gosta bem deste tema). A sua descrição está execlente inclusive. Vale a pena ver!

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