Segunda-feira, 27 de Março de 2006

MULHOLLAND DRIVE

Hoje é dia de falar de coisas muito estranhas, de tal forma que resolvi escrever sobre um filme de David Lynch que, para quem não sabe, é aquele tipo que realiza filmes que ninguém percebe nada, logo só podem ser bons. Isto porque, quando não entendemos certos filmes que vemos, das duas uma, ou não prestámos a devida atenção, ou são bem feitos demais para a nossa compreensão. No final de dois mil e um dp, estreou no cinema Mulholland Drive, que desde logo se tornou um filme de culto, não só por ser de David Lynch, mas acima de tudo por, mais uma vez, ninguém ter entendido patavina do filme. No entanto, ninguém foi capaz de dizer se gostou ou não, remetendo as suas dúvidas para a possível hipótese de não ter compreendido o enredo. Todavia, aquilo era muito simples, senão vejamos, a Rita sofre um acidente em Mulholland Drive, perto de Hollywood, e perde a memória. Depois é ajudada por Betty, uma jovem aspirante a actriz que acabou de chegar a Los Angeles. Entretanto, do outro lado da cidade, um realizador de cinema chamado Adam quer evitar que a Máfia interfira no seu último filme. Há ainda um cowboy, que por esta altura ainda eram vistos como homens viris, uma vidente tipo a saudosa Alcina Lameiras, um anão que aparece sentado numa poltrona tipo alucinação colectiva e mais uma ou outra personagem que aparecem assim do nada. Em determinada altura do filme, todas estas personagens se cruzam, deixando o coitado do espectador à nora e sem saber quem é o culpado, onde está o inocente ou porque raio está tudo metido ao barulho. De realçar a presença neste filme de duas actrizes de cortar a respiração, as boas actrizes Naomi Watts e Laura Helena Harring, que nos proporcionam umas das cenas mais sensuais de amor leviano e lésbico que o cinema alguma vez nos mostrou. Se houver algum bom motivo para gostar deste filme, está precisamente confinado naqueles dez minutos em que não conseguimos desviar os olhos do ecran e todo o nosso corpo se contorce perante a esfrega e refrega destas duas actrizes. Enfim, há mais conteúdo neste filme, mas será que alguém se lembra depois daquilo? Duvido, mas na verdade o filme é muito bem realizado, de tal forma que David Lynch ganhou o prémio de melhor realizador em Cannes e foi também nomeado para um Óscar nesta mesma categoria, embora tenha perdido, assim como as suas actrizes nas respectivas categorias. Mas percebe-se bem porquê, pois afinal não há categoria exclusiva para melhor representação lésbica. É uma pena, lá isso é! Para quem gosta do cinema extravagante e insólito de David Lynch, fica bem servido com mais esta sua obra-prima que nos dá que pensar mesmo não entendendo o fio da meada a partir de determinada altura do argumento. Essencial: Mulholland Drive de David Lynch. Obrigado.

http://www.mulhollanddrive.com/

 

chavascado por suinoecultura às 00:00

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8 comentários:
De pornograffit a 27 de Março de 2006 às 12:48
NãO GOSTEI MUITO DO FILME. COMO TU DIZES NINGUÉM PERCEBE NADA...
De marisa a 27 de Março de 2006 às 15:53
A... não é que eu tenha muito a ver com o caso, mas não era o zuco o gajo dos filmes? O que temos aqui é concorrencia ou o lado critico da coisa? O porquinho é o máximo, parabens pela criatividade!
De xupanupipi a 27 de Março de 2006 às 16:41
Mais um que aderiu ao novos blogs, continuo o meus protesto em vão, sei que vou ser vencido inapelavelmente, é a mania de querer lutar sempre contra aquilo que não gosto, enfim, ninguem me disse para vir aqui falar disto...era sobre o Linch, esse gajo quase tão intrigante como o Tim Burton.Pois, eu gostei desse filme,mas como também gostei do Syriana tudo é possivel.Entretanto lembrei-me do Magnolia, um filme de um gajo de que ninguem se lembra, mas é um grande filme, e numa das cenas começam a chover sapos!!!! Na realidade é um fenomeno atmosferico que não me apetece agora explicar e que no filme parece algo absurdo(parece e é) mas que serve para dar aquele je ne sais quoi que distingue o bom do genial. E istom tudo para dizer o quê?Já não me lembro, por isso um beijo e abraços, e uma observação- este cor de rosinha tá mesmo bem, lololololPS-continua o estilo a parecer-me uma mistura de shaker e de insolente, tipo deja vu, mas não é uma critica, au contraire, é mesmo um elogio, o meu mano e o insolente são dois especimens raros, sabem escrever, escrevem o que sabem, com estilo, e ainda por cima fazem-me sorir e até rir. Então um granede bem haja, caro Suino com cultura ;)
De Sutra a 27 de Março de 2006 às 19:11
Lynch um dos meus favoritos :-)

Bj doce
De Elsita a 27 de Março de 2006 às 20:21
AH AH! Eu aí tenho outra tática! Primeiro leio a crítica e depois é que opino! É que isso de ser mulher e não perceber de carros, futebol e ser cinéfola, fica muito mal, portanto eu tenho uns truques caseiros. Mas não conto a ninguem!Sobre o filme em si; posso acrescentar que:Mulholland Drive é um filme de 2001 dirigido e produzido por David Lynch. O projeto inicial era fazer uma série de TV para a rede ABC, após o sucesso de Twin Peaks. A emissora abandonou o projeto e Lynch contou com o apoio do Canal Plus da França para terminar seu trabalho, agora como filme. O filme lhe rendeu o prêmio de melhor diretor do festival de Cannes (entregue também a Joel Coen neste mesmo ano). O filme foi estrelado por: Naomi Watts, Laura Harring e Justin Theroux. O nome do filme vem de uma avenida famosa em Los Angeles que recebeu o nome em homenagem ao engenheiro William Mulholland...rsssssssssssssssssssss. Continua fresco!




De cicuta a 27 de Março de 2006 às 20:21
porra pro sapo!! continuando... Tou muito mais feliz afinal não sou eu que sou burra!!!!
Finalmente vou dormir em paz! ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
De helluah a 27 de Março de 2006 às 20:50
realmente é uma boa interpretacao do dito movie, no entanto, falta esclarecer-nos, com a sua sobeja inteligencia para decifrar filmes do Lynch, qual é o papel da caixa... pois.. é apenas adereco para nos confundir ainda mais... fique bem
De Salgueirista a 31 de Março de 2006 às 18:06
Parece-me a mim que a primeira metade é pouco mais que um sonho molhado da 'Naomi'.
Em que ela aspirava uma vida de romance e aventura, em vez de uma vida regada a alcool, envolvida numa relação com uma mulher podre de boa, mas uma vaca autêntica que não gosta dela.
Significa a necessidade de uma mulher sentir que a sua vida é completamente preenchida por apenas uma pessoa que nos coloca num pedestal em vez de sermos um pequeno apêndice na sua vida preenchida de machos.
Ou coisa parecida..

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